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Botar a mão na máquina era da massa, praticidade elevada ao cubo para quem costumava passar limpo de manuscritos nas lidas com documentos e ficções, podem perguntar. Lembrei falando com Marko em sua Mostra itinerante de Histórias em Quadrinhos, ora na Feira do Livro, em andamento, de Canoas. Quem pensa que pensa em frente à telinha brilhante hoje em dia, compondo com posições, no jogo da notícia ou de produção dos eventos dignos de nota e comentários que marcam trajetórias históricas da mediação escrita de nossa tão humana venalidade.
Adiantar serviço é para levadas de amor à função, mais do que à própria funcionalidade, do ofício todo com seus ossos, calos, marcos na carnes. Melhor preparar de forma a poder tocar entrando no mérito para não desmoralizar, da questão que se faça de chamar “trabalho” o tema que se irá puxar em apresentação de pesquisa, ainda que possa ser indelicadeza fazê-lo problematizando o que a colega está preparando, ou questão ética. Também recomendações nas paradas de reportar compreensão ou problematização de letras não nos faltam, apenas tomamos como primal e efervescente o texto de criação oralizada, posto serem tratos básicos que me fazem falta, apesar de vivenciar um ramo de atividades profissionais apontada como já muito “oralizada”. A própria Escola elabora em termos de reflexão, ação e reflexão os pensamentos que se introduzem pisando “mais fundo” nos circuitos humanos em pauta.
O repertório da ação escolar fica na reedição de ritos genéricos, tradicionais? Há trilhas que não estão muradas neste labirinto, com certeza, como muitos trabalhadores aprisionados, mas “nosso” assunto é o dos olhares que se prendem às luzes erradas, demônios da perversidade, ralando e lixando os luxos, deixando de lado os lixos, jogando as palavras no caldo todo e dando continuidade para o horror da moçada mais chinelona, digamos – de um magnetismo mais horroroso em curso nos circuitos de bandas podres e bandalheiras afins. Celebro o instituto em que estou ou estive, Escolas Públicas, sem deixar de investir em termos de grana alta, modestamente (e com grana da família, na verdade), na aprendizagem da ensinagem, e figuras eventualmente inspiradas da limpeza do estabelecimento, dinâmica e sonora, estética e intensa, incluindo uma responsável por adorno sobre o espelho de nossa sala dos professores, que ela achou nas ricas quinquilharias do estabelecimento ser um arabesco, realmente simétrico, com motivos de vegetação lembrando algum tipo art-nouveau também Amazônia e suas cidades na desolação das piratarias – arquitetadas por Brasília e na cumplicidade dos laranjeiros de grilagem, dentre outros personagens que estão sendo devidamente fichados por olhares ainda mais robustos e espertos (videm notícias sobre MP da grilagem a ser “decidida” por Lullinha paz&love ainda neste mês, e o que pensa (para citar um exemplo do lugar comum) nossa ex-ministra do meio ambiente).
Com Marko, curador da ampla e altamente qualificada Mostra de HQs do mundo, busquei limitar a exposição das vergonhas pessoais, sem colocar em causa a dignidade da cultura nossa, mas ele fez questão de garantir do texto de Jorge Furtado sobre os factóides midiáticos em torno de acervos das Bibliotecas nas Escolas como sendo motivo orgulho para gaúchos. De fato ele me presenciara querendo dar sermão no meu próprio pai, quebrando paus por sua opinião tão fortemente “ignorante”, e agora que acabo de ler a crônica, verdadeiro comentário sobre educação e polititica, do cineasta, posso me orgulhar ao menos em ter pensado nos mesmos cânones literários e criativos (é por isso que eles são canônicos? Shakespeare, Cervantes, Machado de Assis) entre outros escritos “apimentados” ou “temperados” dos “malucos” que “pintam” em tudo que é profissão mais letrada, nem digo venal, mas onde as pessoas registram objetivos e renovam determinação, sacam o que estão querendo, respeitam, tomam conhecimento, elaborando as diferenças, partilhando valores e reportando. Valeu o tema ponderado em balanço?

sempre fomos, principalmente pelos gibis oportunizando tempos bem sacados de leitura mesmo, que só ficar foleando, fora das bancas de jornal, não rola, não satisfaz, só pode ter sentido para doentes muito precocemente envelhecidos, caçadores da moral perdida, e estes ainda podem preferir revistas especializadas, porque livros dão muito trabalho, e o negócio da sua política é cabide, mas de emprego, usar os votos do pessoal como escudo, se entrincheirar no palácio até chegar o momento de render a sua guarda ou uma autoridade manifestar que acabou a brincadeira, que apesar de tudo o que corre pela Justiça, ela anda, ainda que tardando, tardando, e abafando escândalo atrás de escândalo.
Esse negócio de escrever, quer dizer, ler de trás por diante por partes de bloguear é um grande barato que não conseguiram ainda proibir, decerto por vir lá das ditas terras da liberdade onde – arquitetaram a atual crise econômica globalizada até para empresariado, como tá todo o mundo ligado que – o Obama tá ligado e esperto, na onda blogueira.
Só que levada de cultura tem outros tempos, circuitos para se trabalhar a paixão infantil pelos livros, que são projetos de leitura que não perderam de todo o sentido, a razão de ser, na composição mediadora da cultura, com álbuns, estudos, teatro, educação musical e outras manifestações vibrantes, correspondentes.
Há quase meio século atrás se tinha psicólogo explicando o gibi como ponta de lança da escalada do risco jovem enquanto ameaça à sociedade e arma do comunismo. O livro “a sedução do inocente” foi o estopim do movimento que, guerra é guerra, varreu a ficção científica e o terror das prateleiras de gibis, instituindo uma marca de aprovação, o chamado “código de ética”, vedando insinuações de tudo o que pudesse fazer pensar diferente na paróquia, digo, a tudo o que fosse sexualizado, bandidagem que levasse vantagem sobre os mocinhos da América, condenando o veículo a cuidar da leitura mais infantil, os tradicionais clubes do Bolinha e da Luluzinha. Mesmo as revistas “Disney” não eram apreciadas pelo dito cujo interesse era todo voltado para a animação cinematográfica e suas famosas brinquedolândias, mas muita arte seqüencial, para usar outra expressão consagrada por Will Eisner, reproduzia e difundia aquela visão maluca de Patópolis e viagens ainda mais mirabolantes, com outros animais buscando os tons fabulosos, educativos, pelos quais poderíamos entreter um imaginário “inocente”. Não vou bancar o santinho: tudo isso é história decorada de trás para diante, sabida de olhos bem fechados, levantada por rios de informação e interpretações críticas muito válidas há muito tempo, mas que assusta por ser tão apaixonante. Mais fácil manter a imprensa como gueto industrial, com o humorismo violentamente insosso e maçada que sobrou nas tirinhas de jornal estado-unidenses após a malfadada castração coletiva do imaginário industrializado nos anos 50? A guerra fria foi uma fria mesmo, é bom lembrar, refletir, ponderando os acontecimentos, visando lances melhores para os grandes futuros da nação, mas para quem é profissional na área, ficou sendo pouco mais do que obrigação, necessidade estar querendo coisa com coisa, da boa mesmo, promovendo o entendimento desse espírito, na esportiva, na medida do possível, junto aos colegas oficiais da aprendizagem e do ensino.
Há um quarto de século os letrados podiam suspeitar de algo diferente acontecendo nas fantasias em quadrinhos, imagens de bandeja na esteira das leituras não seriam a própria escola da preguiça para o juízo do educando ou cidadão? Acabo de relatar como verdadeiros artistas das aventuras quase noveleiras podem ser mobilizados para uma propaganda de guerra. Will Eisner inclusive resolveu conferir, testemunhando pessoalmente a guerra do Vietname. Mas isto é outra história. Até porque ele não quis terminar a vida tendo sido apenas criador de manuais para o treinamento deste exército, que criou a figura do tio Sam, e o inventivo narrador dos anos trinta (ver “o Sonhador”, que deveria estar numa biblioteca próxima de você) e quarenta, criador do chamado super-herói de classe média, the Spirit. O “Um Contrato com Deus” foi onde ele descobriu que lembrar é viver, onde suas histórias de cortiço cantam a sua aldeia, que ele testemunha com alegrias e tristezas, aventuras e tragédias, bom mocismo e aplaudidas inteligência, sensibilidade, essas coisas. Mais de duas décadas tinham se passado depois nas nefandas perseguições aos contadores de história naquele país, todos suspeitos de conspiração, e a mídia desenhada voltava a ser vista como um canal de atividades instigantes e expressivas para setores curiosos do grande público. Para dar aquele diferencial ao caráter autoral de seu trabalho, o tratou por novela gráfica (graphic novel, não é isto?), expressão que ironicamente se tornaria a marca registrada da indústria das “mini-séries de luxo” reproduzidas em terras brasileiras, mas inicialmente a partir de trabalhos de personalidades da mídia – desenhistas roteirizando, ou até contadores de história curtindo com os desenhos. Will Eisner achava que tinha mais personalidade quem desenvolvesse sua própria história e forma de expressá-la por meio dos recursos disponíveis em uma sociedade cuja cultura seria conquistada por trabalhos do maior respeito. Donde a beleza do título “Einer Award” (The Will Eisner Comic Industy Award) para as premiações de lá e os discernimentos de cá. “O Nome do Jogo” talvez seja uma novela judia de intrigas casamenteiras, mas não é desprezível, para quem se liga na dramática da coisa, nem uma ameaça para quem não curte ou tem mais o que fazer. Junto com “O Sonhador” e “Um Contrato com Deus”, compõem uma tríade amaldiçoada por redes de ensino público que deveriam estar cultivando as bibliotecas escolares como centros de acessibilidade à informação da comunidade – de natureza bem diferenciada, em todo caso, dos eventuais “cines privé” que podem estar pensando pelas privadas e excrescências da polititicalha atual do Estado e no “território nacional”.
Hoje trovam para mais de metro, passando moral que não era, ficam vidrados nas telinhas absurdas ainda mais estupidamente pilotadas, enquanto as ruas assistem à emergência de novas forças de expressão racional e as bancas de jornais (que alguns preferem chamar de açougue) e tabacarias nem conhecem mais o que são histórias infanto-juvenis, estilos e gibis, no máximo escoando alguma produção italiana entre os dragões do mangá japonês e dos comics made in U.S.A. ou England, metamorfoseados em séries de enredo “recomendado para leitores maduros”.
Quer dizer, se está fazendo muita coisa, muita coisa está acontecendo, e tem muito mais coisa por se fazer ainda, muito que está por acontecer, conforme quem tece narrativas e entretém suas luzes (nem sempre os “vencedores” da “História” que “inventam” pelas escolas). Nunca faltou, para os cidadãos de bem ou para os formadores de opinião, o que fazer, ainda que muitos empregos tenham faltado, muitas condições adequadas de vida, tenham faltado muito com a verdade e estejam fazendo coisas indevidas com nossos educandos e educandários. Valha-nos Deus, esse é o mundo, o país, o Estado em que vivo e convivo com colegas, comunidade, recebendo, participando, pedindo por favor, por favor nos deixem trabalhar, mas invistam nas instalações, nem que sejam códigos de barras nos livros, mas deixem os alunos chegar nos acervos bibliográficos também, conviverem com a “liberdade” que invejaríamos (mas lamentamos), pesquisarem as suas histórias, os ensinamentos e as medidas conseqüentes, correspondentes aos planos que tem os mais legítimos direitos, quando não obrigação mesmo, de entreter, digo, de entender elaborando, na prática, ao menos estudantil, dos plurais de nossa pátria – ou de nossa “língua”, quando muito, digamos.
Mas não posso dizer que a professora Mariza Abreu seja uma nazi, que ela só ensina errado, o mau exemplo encarnado na face da mídia orquestrada dos infernos que os carreguem, não: me ensinou que o problema da educação nem é questão de motivação afetiva, mas uma questão de cunho administrativo. Coordenação? Política? Os rótulhos não lhe são estranhos, a pessoa é educada e conduz seus padrões pelas rotinas do sistema que é uma beleza de justiça e potência de governança. Máquinas de pensar pode atrapalhar, nada como as instalações eletrônicas do lar, o futuro das escolas voltando aos eixos da Matemática e da Língua Portuguesa para as classes essenciais de futuros vestibulandos de mãos dadas com os futuros (ou já) operários das turmas de nossa História. Vibrações, ritmos, padrões de realidade para os seus brindes e até uma próxima.

Respeito muito minha nervosidade, inda mais quando a inteligência está sendo atacada, até bem mais que as opiniões, aquelas mesmas tão prezadas pelas gerações que cobrem nossa terra mais adorada.

 Entre o que procede e implica em relações tocantes e consistentes, concretamente, e os factóides que tiram trabalhos sérios da circulação no ambiente educacional das bibliotecas escolares, obras primas equivalentes a clássicos em termos narrativos e escancarando a vida como ela foi em desenhos dramáticos de enredos mas dignos, vão-se carradas de interpretação de quem teme pela juventude. Pena é que tanta saliva possa estar diluindo os pingos de juízo – nem sempre favoravelmente à própria inteligência das soluções encaminhadas pelos censores camuflados de lentes ou celulares em punhos. Pois temos imagens boas e péssimas deste seu mundo, hipóteses de trabalho suadas e até surradas, noção do significante, da sua dimensão humana fortalecendo os tecido da realidade em que colhemos eventuais inversões de valores da própria cultura sem nenhuma intenção de botar na agenda, espalhafatosa ou colecionista, mas vão sendo analisadas para apreciarmos e avaliarmos adequadamente a capacidade dos que tem responsabilidades tão candentes como as de celebrar o abastecimento bibliotecas escolares e/ou de geri-las no seio das respectivas comunidades.

 Crescer lendo, afinal, é coisa sensível até aos contextos da própria vida que se interpreta e aos tecidos textuais que se inscrevem no curso dos anos, pelos imaginários nutridos de informação cruzada, com testemunhos de épocas e leituras, lugares e linguagens diversas.

 Conhecendo Escolas e alguma Coordenadoria estadual da Educação, não é de se estranhar que visitas perturbadoras possam reger algumas medidas, quanto mais preventivas, preocupações em departamentos jurídicos, ouvidos moucos em torno a diretorias, desentendimentos que dão o que falar e tornam ainda mais preciosos os eventuais silêncios das bibliotecas. Também lamentamos profundamente que possam ler e consumir atrás de cenas que consideram picantes no chego dos lares como nos apelos do comércio. Nem é por motivo diverso pelo qual mediações apresentando os dramas de vida, olhando para os lados e refletindo, são necessárias, interpretando a verdadeira violência com propriedade, mas também aplicando sentido à experiência social, lançando, mais que farpas ou rótulos, olhares compreensivos que são muito valiosos – como terão sido os consolos filosóficos de outrora. Sem ofensas, mas pelos tratos com populares interessados em livros, parece que Voltaire está no lixo da História e Jorge Amado passaria novamente por hardcore e seriamente pe(n)sado. Quase chego a entender como o próprio Machado de Assis possa ser confundido com um enigma de esfinge no besteirol mais desmedido, mas tanto tempo após Sócrates de Atenas ser acusado de corromper a juventude atacarem o humanista que publica, pelo seu revelador trabalho reto, enredado e direto, aquele maior responsável pela narrativa pensante e visualizada, é uma incógnita que nem os conceitos de ironia da História parecem comportar.

 As variáveis da cultura são sensíveis à exclusão e seletivas: Faustão, Paulo Coelho e Malhação coroam mediações corriqueiras, mas o que está sendo banido, e por representantes de quais poderes, encarregados de que tipo de responsabilidade social, obrigação política ou profissional? Sem tempo de ler sequer uma destas pequenas grandes obras, destinadas pela arte a idades tão díspares, e avalizar um posicionamento significativo de guarda à moralidade das instituições de acervo cultural, que pensam que estão fazendo? Porque para a turma que se importa que cacem “bruxas” e queimem livros, a podreira da Dinamarca shakespeariana pode parecer fichinha, mas não menos representativa de causas de nossas mazelas mais deploráveis, entre as quais se encontram aquelas em que gostaríamos de não reportar nem conceber: pedofilia/estupro, violência doméstica e adultério, motivos dos cortes, da inadequação alegada pelo nosso próprio Estado “ledor”, de nossa própria Secretária da Educação, para os nossos educa(n)dos, já tão “imaturos” – tão frequentemente. Restaria saber quem se importa em cultivar historiografias que ajudem a evitar, ou eventualmente até correr o risco de erradicar, as atrocidades vivenciadas por nossas gerações imediatamente anteriores – ao menos o virtual estrangulamento à inteligência dos futuros Chaplins, Cervantes, Éricos, Lobatos e Eisners da vida! Sirvam, suas “façanhas”, de exemplo à nossa terra: um povo como o nosso, capaz de cantar tão bravamente a própria coragem, bem pode colher os frutos de toda essa inteligência – e em momento mais que oportuno, a julgar pelas pesquisas indicando quão maltratada Ela está pelos preconceitos instituídos, e bastante reverberados, nas próprias Escolas. Ou alguém aqui de sã consciência ainda acreditaria que, em cortina de fumaça, quem diz a verdade é maluco? Porque ninguém duvida que aqueles que não batem bem da bola tampouco carregam boas vibrações. Temos ditos bem poucas e boas, mas talvez mais conseqüentes que vidinhas levadas às vistas, menos grossas, de nossas imaginações de projeção.

Entendam que entender não é privilégio de quem se abastece em informativos elétricos das voltagem de seus tão disputados pequenos e dos seus viciados canais – tchau, e com licença!!