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sempre fomos, principalmente pelos gibis oportunizando tempos bem sacados de leitura mesmo, que só ficar foleando, fora das bancas de jornal, não rola, não satisfaz, só pode ter sentido para doentes muito precocemente envelhecidos, caçadores da moral perdida, e estes ainda podem preferir revistas especializadas, porque livros dão muito trabalho, e o negócio da sua política é cabide, mas de emprego, usar os votos do pessoal como escudo, se entrincheirar no palácio até chegar o momento de render a sua guarda ou uma autoridade manifestar que acabou a brincadeira, que apesar de tudo o que corre pela Justiça, ela anda, ainda que tardando, tardando, e abafando escândalo atrás de escândalo.
Esse negócio de escrever, quer dizer, ler de trás por diante por partes de bloguear é um grande barato que não conseguiram ainda proibir, decerto por vir lá das ditas terras da liberdade onde – arquitetaram a atual crise econômica globalizada até para empresariado, como tá todo o mundo ligado que – o Obama tá ligado e esperto, na onda blogueira.
Só que levada de cultura tem outros tempos, circuitos para se trabalhar a paixão infantil pelos livros, que são projetos de leitura que não perderam de todo o sentido, a razão de ser, na composição mediadora da cultura, com álbuns, estudos, teatro, educação musical e outras manifestações vibrantes, correspondentes.
Há quase meio século atrás se tinha psicólogo explicando o gibi como ponta de lança da escalada do risco jovem enquanto ameaça à sociedade e arma do comunismo. O livro “a sedução do inocente” foi o estopim do movimento que, guerra é guerra, varreu a ficção científica e o terror das prateleiras de gibis, instituindo uma marca de aprovação, o chamado “código de ética”, vedando insinuações de tudo o que pudesse fazer pensar diferente na paróquia, digo, a tudo o que fosse sexualizado, bandidagem que levasse vantagem sobre os mocinhos da América, condenando o veículo a cuidar da leitura mais infantil, os tradicionais clubes do Bolinha e da Luluzinha. Mesmo as revistas “Disney” não eram apreciadas pelo dito cujo interesse era todo voltado para a animação cinematográfica e suas famosas brinquedolândias, mas muita arte seqüencial, para usar outra expressão consagrada por Will Eisner, reproduzia e difundia aquela visão maluca de Patópolis e viagens ainda mais mirabolantes, com outros animais buscando os tons fabulosos, educativos, pelos quais poderíamos entreter um imaginário “inocente”. Não vou bancar o santinho: tudo isso é história decorada de trás para diante, sabida de olhos bem fechados, levantada por rios de informação e interpretações críticas muito válidas há muito tempo, mas que assusta por ser tão apaixonante. Mais fácil manter a imprensa como gueto industrial, com o humorismo violentamente insosso e maçada que sobrou nas tirinhas de jornal estado-unidenses após a malfadada castração coletiva do imaginário industrializado nos anos 50? A guerra fria foi uma fria mesmo, é bom lembrar, refletir, ponderando os acontecimentos, visando lances melhores para os grandes futuros da nação, mas para quem é profissional na área, ficou sendo pouco mais do que obrigação, necessidade estar querendo coisa com coisa, da boa mesmo, promovendo o entendimento desse espírito, na esportiva, na medida do possível, junto aos colegas oficiais da aprendizagem e do ensino.
Há um quarto de século os letrados podiam suspeitar de algo diferente acontecendo nas fantasias em quadrinhos, imagens de bandeja na esteira das leituras não seriam a própria escola da preguiça para o juízo do educando ou cidadão? Acabo de relatar como verdadeiros artistas das aventuras quase noveleiras podem ser mobilizados para uma propaganda de guerra. Will Eisner inclusive resolveu conferir, testemunhando pessoalmente a guerra do Vietname. Mas isto é outra história. Até porque ele não quis terminar a vida tendo sido apenas criador de manuais para o treinamento deste exército, que criou a figura do tio Sam, e o inventivo narrador dos anos trinta (ver “o Sonhador”, que deveria estar numa biblioteca próxima de você) e quarenta, criador do chamado super-herói de classe média, the Spirit. O “Um Contrato com Deus” foi onde ele descobriu que lembrar é viver, onde suas histórias de cortiço cantam a sua aldeia, que ele testemunha com alegrias e tristezas, aventuras e tragédias, bom mocismo e aplaudidas inteligência, sensibilidade, essas coisas. Mais de duas décadas tinham se passado depois nas nefandas perseguições aos contadores de história naquele país, todos suspeitos de conspiração, e a mídia desenhada voltava a ser vista como um canal de atividades instigantes e expressivas para setores curiosos do grande público. Para dar aquele diferencial ao caráter autoral de seu trabalho, o tratou por novela gráfica (graphic novel, não é isto?), expressão que ironicamente se tornaria a marca registrada da indústria das “mini-séries de luxo” reproduzidas em terras brasileiras, mas inicialmente a partir de trabalhos de personalidades da mídia – desenhistas roteirizando, ou até contadores de história curtindo com os desenhos. Will Eisner achava que tinha mais personalidade quem desenvolvesse sua própria história e forma de expressá-la por meio dos recursos disponíveis em uma sociedade cuja cultura seria conquistada por trabalhos do maior respeito. Donde a beleza do título “Einer Award” (The Will Eisner Comic Industy Award) para as premiações de lá e os discernimentos de cá. “O Nome do Jogo” talvez seja uma novela judia de intrigas casamenteiras, mas não é desprezível, para quem se liga na dramática da coisa, nem uma ameaça para quem não curte ou tem mais o que fazer. Junto com “O Sonhador” e “Um Contrato com Deus”, compõem uma tríade amaldiçoada por redes de ensino público que deveriam estar cultivando as bibliotecas escolares como centros de acessibilidade à informação da comunidade – de natureza bem diferenciada, em todo caso, dos eventuais “cines privé” que podem estar pensando pelas privadas e excrescências da polititicalha atual do Estado e no “território nacional”.
Hoje trovam para mais de metro, passando moral que não era, ficam vidrados nas telinhas absurdas ainda mais estupidamente pilotadas, enquanto as ruas assistem à emergência de novas forças de expressão racional e as bancas de jornais (que alguns preferem chamar de açougue) e tabacarias nem conhecem mais o que são histórias infanto-juvenis, estilos e gibis, no máximo escoando alguma produção italiana entre os dragões do mangá japonês e dos comics made in U.S.A. ou England, metamorfoseados em séries de enredo “recomendado para leitores maduros”.
Quer dizer, se está fazendo muita coisa, muita coisa está acontecendo, e tem muito mais coisa por se fazer ainda, muito que está por acontecer, conforme quem tece narrativas e entretém suas luzes (nem sempre os “vencedores” da “História” que “inventam” pelas escolas). Nunca faltou, para os cidadãos de bem ou para os formadores de opinião, o que fazer, ainda que muitos empregos tenham faltado, muitas condições adequadas de vida, tenham faltado muito com a verdade e estejam fazendo coisas indevidas com nossos educandos e educandários. Valha-nos Deus, esse é o mundo, o país, o Estado em que vivo e convivo com colegas, comunidade, recebendo, participando, pedindo por favor, por favor nos deixem trabalhar, mas invistam nas instalações, nem que sejam códigos de barras nos livros, mas deixem os alunos chegar nos acervos bibliográficos também, conviverem com a “liberdade” que invejaríamos (mas lamentamos), pesquisarem as suas histórias, os ensinamentos e as medidas conseqüentes, correspondentes aos planos que tem os mais legítimos direitos, quando não obrigação mesmo, de entreter, digo, de entender elaborando, na prática, ao menos estudantil, dos plurais de nossa pátria – ou de nossa “língua”, quando muito, digamos.
Mas não posso dizer que a professora Mariza Abreu seja uma nazi, que ela só ensina errado, o mau exemplo encarnado na face da mídia orquestrada dos infernos que os carreguem, não: me ensinou que o problema da educação nem é questão de motivação afetiva, mas uma questão de cunho administrativo. Coordenação? Política? Os rótulhos não lhe são estranhos, a pessoa é educada e conduz seus padrões pelas rotinas do sistema que é uma beleza de justiça e potência de governança. Máquinas de pensar pode atrapalhar, nada como as instalações eletrônicas do lar, o futuro das escolas voltando aos eixos da Matemática e da Língua Portuguesa para as classes essenciais de futuros vestibulandos de mãos dadas com os futuros (ou já) operários das turmas de nossa História. Vibrações, ritmos, padrões de realidade para os seus brindes e até uma próxima.

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