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Respeito muito minha nervosidade, inda mais quando a inteligência está sendo atacada, até bem mais que as opiniões, aquelas mesmas tão prezadas pelas gerações que cobrem nossa terra mais adorada.

 Entre o que procede e implica em relações tocantes e consistentes, concretamente, e os factóides que tiram trabalhos sérios da circulação no ambiente educacional das bibliotecas escolares, obras primas equivalentes a clássicos em termos narrativos e escancarando a vida como ela foi em desenhos dramáticos de enredos mas dignos, vão-se carradas de interpretação de quem teme pela juventude. Pena é que tanta saliva possa estar diluindo os pingos de juízo – nem sempre favoravelmente à própria inteligência das soluções encaminhadas pelos censores camuflados de lentes ou celulares em punhos. Pois temos imagens boas e péssimas deste seu mundo, hipóteses de trabalho suadas e até surradas, noção do significante, da sua dimensão humana fortalecendo os tecido da realidade em que colhemos eventuais inversões de valores da própria cultura sem nenhuma intenção de botar na agenda, espalhafatosa ou colecionista, mas vão sendo analisadas para apreciarmos e avaliarmos adequadamente a capacidade dos que tem responsabilidades tão candentes como as de celebrar o abastecimento bibliotecas escolares e/ou de geri-las no seio das respectivas comunidades.

 Crescer lendo, afinal, é coisa sensível até aos contextos da própria vida que se interpreta e aos tecidos textuais que se inscrevem no curso dos anos, pelos imaginários nutridos de informação cruzada, com testemunhos de épocas e leituras, lugares e linguagens diversas.

 Conhecendo Escolas e alguma Coordenadoria estadual da Educação, não é de se estranhar que visitas perturbadoras possam reger algumas medidas, quanto mais preventivas, preocupações em departamentos jurídicos, ouvidos moucos em torno a diretorias, desentendimentos que dão o que falar e tornam ainda mais preciosos os eventuais silêncios das bibliotecas. Também lamentamos profundamente que possam ler e consumir atrás de cenas que consideram picantes no chego dos lares como nos apelos do comércio. Nem é por motivo diverso pelo qual mediações apresentando os dramas de vida, olhando para os lados e refletindo, são necessárias, interpretando a verdadeira violência com propriedade, mas também aplicando sentido à experiência social, lançando, mais que farpas ou rótulos, olhares compreensivos que são muito valiosos – como terão sido os consolos filosóficos de outrora. Sem ofensas, mas pelos tratos com populares interessados em livros, parece que Voltaire está no lixo da História e Jorge Amado passaria novamente por hardcore e seriamente pe(n)sado. Quase chego a entender como o próprio Machado de Assis possa ser confundido com um enigma de esfinge no besteirol mais desmedido, mas tanto tempo após Sócrates de Atenas ser acusado de corromper a juventude atacarem o humanista que publica, pelo seu revelador trabalho reto, enredado e direto, aquele maior responsável pela narrativa pensante e visualizada, é uma incógnita que nem os conceitos de ironia da História parecem comportar.

 As variáveis da cultura são sensíveis à exclusão e seletivas: Faustão, Paulo Coelho e Malhação coroam mediações corriqueiras, mas o que está sendo banido, e por representantes de quais poderes, encarregados de que tipo de responsabilidade social, obrigação política ou profissional? Sem tempo de ler sequer uma destas pequenas grandes obras, destinadas pela arte a idades tão díspares, e avalizar um posicionamento significativo de guarda à moralidade das instituições de acervo cultural, que pensam que estão fazendo? Porque para a turma que se importa que cacem “bruxas” e queimem livros, a podreira da Dinamarca shakespeariana pode parecer fichinha, mas não menos representativa de causas de nossas mazelas mais deploráveis, entre as quais se encontram aquelas em que gostaríamos de não reportar nem conceber: pedofilia/estupro, violência doméstica e adultério, motivos dos cortes, da inadequação alegada pelo nosso próprio Estado “ledor”, de nossa própria Secretária da Educação, para os nossos educa(n)dos, já tão “imaturos” – tão frequentemente. Restaria saber quem se importa em cultivar historiografias que ajudem a evitar, ou eventualmente até correr o risco de erradicar, as atrocidades vivenciadas por nossas gerações imediatamente anteriores – ao menos o virtual estrangulamento à inteligência dos futuros Chaplins, Cervantes, Éricos, Lobatos e Eisners da vida! Sirvam, suas “façanhas”, de exemplo à nossa terra: um povo como o nosso, capaz de cantar tão bravamente a própria coragem, bem pode colher os frutos de toda essa inteligência – e em momento mais que oportuno, a julgar pelas pesquisas indicando quão maltratada Ela está pelos preconceitos instituídos, e bastante reverberados, nas próprias Escolas. Ou alguém aqui de sã consciência ainda acreditaria que, em cortina de fumaça, quem diz a verdade é maluco? Porque ninguém duvida que aqueles que não batem bem da bola tampouco carregam boas vibrações. Temos ditos bem poucas e boas, mas talvez mais conseqüentes que vidinhas levadas às vistas, menos grossas, de nossas imaginações de projeção.

Entendam que entender não é privilégio de quem se abastece em informativos elétricos das voltagem de seus tão disputados pequenos e dos seus viciados canais – tchau, e com licença!!

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One Comment

  1. Demorei mas não na branquinha da nuvem deste lindo dia em que se divulgam ajuizamentos pretensamente morais sobre modernos materiais do Programa Nacional de Bibliotecas nas Escolas (PNBE), de Will Eisner (falecido aos 87 anos, trabalhando brilhantemente em 2005): “O Sonhador”; “Contrato com Deus”, “O Nome do Jogo”. Imperdíveis: “O Complô – A História Secreta dos Protocolo dos Sábios de Sião”, NY a Grande Cidade, O Edifício, etc.


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